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Com metade da atual safra de soja do Brasil colhida e um clima amplamente favorável, a previsão média de analistas e instituições já supera as projeções mais otimistas do início da temporada, mostrou nesta quarta-feira uma pesquisa da Reuters. A colheita do país na temporada 2016/17 deverá alcançar um recorde de 106,8 milhões de toneladas, alta de quase 12 por cento ante a safra passada, segundo pesquisa com 19 fontes do mercado.

Na pesquisa publicada no final de outubro, quando o plantio ainda estava em andamento, a previsão média havia ficado em 102,8 milhões de toneladas, sendo que a estimativa mais elevada era de 105 milhões de toneladas. No mês passado, pesquisa da Reuters havia apontado uma safra de 104,7 milhões de toneladas.

Nos últimos dias, diversas consultorias elevaram suas projeções, para números cada vez mais próximos de impressionantes 110 milhões de toneladas, em forte contraste com a safra passada, que teve as expectativas frustradas por chuvas irregulares em importantes regiões produtoras. As avaliações ocorrem antes da divulgação, na quinta-feira, de uma atualização de previsões de safras de grãos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) também divulga seus números mensais.

A Céleres, por exemplo, disse na segunda-feira que a colheita pode alcançar 109,65 milhões de toneladas. "As condições durante o ciclo produtivo foram realmente melhores que o projetado", afirmou a consultoria, em relatório.

Houve apreensão em alguns momentos da temporada, quando chuvas em grandes volumes causaram danos em lavouras de Mato Grosso, principal Estado produtor da oleaginosa. Especialistas disseram, no entanto, que embora tenham provocado prejuízos, as precipitações foram benéficas para uma área muito mais ampla. Também podem haver surpresas positivas nas regiões do país que plantam em um calendário mais tardio e que estão recebendo bons volumes de chuvas.

"O clima está muito bom, principalmente no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e no Rio Grande do Sul, que possuem lavouras mais tardias em função de seus calendários agrícolas", disse o analista de grãos Aedson Pereira, da IEG FNP, divisão brasileira da consultoria norte-americana Informa Economics. "No Rio Grande do Sul, o cenário é taxativo. O mercado vive a expectativa de produção histórica, com uma safra em torno de 17 milhões de toneladas e rendimentos recordes, acima de 51 sacas por hectare pela primeira vez na história", completou Pereira.

Segundo levantamento da AgRural, a colheita evoluiu bastante na semana do Carnaval, atingindo 47 por cento até 2 de março, ante 36 por cento uma semana antes e 41 por cento em 4 de março de 2016. Em Mato Grosso, a colheita já alcança 78 por cento da área, ante 65 por cento na semana anterior e 64 por cento um ano atrás. Os trabalhos ainda não começaram de maneira efetiva no Rio Grande do Sul e no Matopiba ainda não chegaram a 10 por cento da área.

Fonte: Agrolink