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O presidente do Sindicato Rural de Guarapuava (PR), Rodolpho Botelho, detalhou, em entrevista ao Notícias Agrícolas, a situação do planejamento da safra de inverno na região para essa temporada e também o andamento da comercialização da soja. De acordo com Botelho, os produtores devem reduzir a área destinada ao trigo pela dificuldade de comercialização e também pelos preços recebidos.

Segundo dados da Secretaria de Agricultura do estado, a previsão é que haja uma queda de mais de 30% na área do cereal. Os produtores que plantavam apenas eventualmente vão sair "totalmente fora" nesse planejamento do plantio de inverno, como detalha o presidente, enquanto outros devem ainda investir em outras culturas.

Botelho detalha que a região planta trigo em junho e julho e colhe em novembro e dezembro. Neste momento, grande maioria das regiões já colheram seu trigo, então, a região de Guarapuava possui uma dificuldade a mais na sua comercialização. Embora tenham havido boas produtividades no ano passado, a dificuldade na comercialização se impôs e os preços giraram em torno de R$500 a R$550 a tonelada, o que se posiciona abaixo do custo de produção.

As culturas que aumentam em decorrência da diminuição do trigo são a canola, ainda em pequenas quantidades e principalmente a cevada, que pode ter um aumento de 20%. Produtores e técnicos buscam substitutos para as gramíneas de inverno e a canola é uma das opções, embora sua produtividade oscile muito em função de clima, chuva e frio.

O presidente acredita que a cultura do trigo precisa de maior incentivo, uma vez que no Brasil é produzido apenas metade do consumo interno. Para Botelho, o setor produtivo precisaria ser apoiado em contrapartida às importações frequentes por parte de tradings de trigo de outros países da América do Sul e até mesmo da América do Norte. Em função do clima, a região não possui opção de safrinha de milho e necessita de culturas mais específicas.

Para a cultura do milho, o cenário de produtividade é bom: são esperados até 15kg por hectare na média de produtividade. Houve uma pequena comercialização antecipada, mas haverá dificuldade de comercialização dali em diante em função de uma provável safrinha grande a nível nacional. Os produtores aguardam por alguns repiques de preço. Neste momento, as referências de preços estão em média de R$21 no balcão e R$23 no lote. Os produtores trabalham no negativo em relação ao custo de produção.

A soja ainda dá lucro, mas os preços também se encontram em baixa e a comercialização, parada. As referências para a oleaginosa são de R$56 a R$58 no balcão e R$60 a R$62 no lote.