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A produção de soja pelo Brasil na safra 2017/18 deverá cair mais de 3 por cento em relação à do ano passado, ficando abaixo inclusive daquela projetada por especialistas no fim de agosto, embora ainda haja divergências no mercado sobre o tamanho da colheita. Segundo a média de dez estimativas de consultorias e instituições de mercado obtidas pela Reuters, a produção deverá alcançar 109,98 milhões de toneladas, em uma área recorde de 34,77 milhões de hectares.

Na pesquisa anterior, a produção estava prevista em 110,60 milhões de toneladas, com um plantio de 34,70 milhões de hectares. As novas estimativas são ainda, respectivamente, 3,59 por cento menor e 2,53 por cento maior na comparação com as 114,08 milhões de toneladas e os 33,91 milhões de hectares registrados em 2016/17, quando o clima foi excelente e resultou em uma safra recorde para o maior exportador global da oleaginosa.

Na temporada 2017/18, a produção a ser colhida no início do próximo ano deve cair apesar da área maior porque analistas estão cautelosos em relação à produtividade. “Estamos imaginando que o clima não será tão perfeito como foi no ano passado. Será irregular. Embora ainda seja muito cedo, há sinais de que dificilmente teremos uma produtividade cheia”, disse o diretor da Cerealpar, Steve Cachia.

A Cerealpar foi a integrante da pesquisa que mais reduziu a projeção para a produção de soja em 2017/18, de 115 milhões no levantamento anterior para 111 milhões de toneladas agora. Outras consultorias, no entanto, também demonstram certo receio com o clima daqui para frente.

“Destaca-se... a apreensão em relação à possibilidade de ocorrência do efeito climático La Niña no final do ano, dado que tende a deixar o clima mais seco na região Sul do Brasil e na Argentina durante a fase de desenvolvimento das plantações”, comentou a INTL FCStone, em nota, ponderando que um eventual La Niña tende a ser de baixa intensidade. A estimativa da consultoria para a produção de soja é a menor dentre as obtidas pela Reuters, de 106,73 milhões de toneladas.

“A ausência de precipitações no centro-sul do país até o final de setembro trouxe preocupações para os sojicultores... a umidade regular do solo durante o início do plantio é fundamental para o desenvolvimento das sementes”, acrescentou a INTL FCStone. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgará sua primeira projeção para a nova safra na próxima terça-feira.

Fonte: Agrolink